Quem sou eu

Minha foto
Pátria, Amada, Brazil
Apenas um rapaz, um rapaz que não tem medo de mostrar seus sentimentos, aliás, tem orgulho. Amor não é algo para ser guardado oculto dentro de nós, mas sim dividido com o mundo, pois o amor está em falta ultimamente...
Mostrando postagens com marcador Histórias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Histórias. Mostrar todas as postagens

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Dilema apaixonante




Quantas pessoas chorariam de emoção se você dissesse “eu te amo”?
Quantas pessoas mentiriam só para passar mais alguns breves minutos ao seu lado?
Quantas pessoas suportariam um frio de cortar os ossos apenas para tem um pretexto para te abraçar?
Quantas chances você tem de encontrar a pessoa que faria tudo isso?

Poucas horas foram o suficiente para mostrar que a minha vida não passara de uma sucessão de vazios.
Ver você logo ali, ao meu alcance, foi indescritível. Sem saber o que se passava na sua mente assim que me viu. Apenas segui o que nossos corações nos diziam.
Temos formas peculiares de demonstrar nossa paixão jovem... Afinal, o amor não foi feito para ser discreto, mas sim saboreado, com cada suspiro, gota de suor, toque e arrepio.

Não me importo com o que os outros pensam de nós. As incontáveis coisas que disseram para mim ajudaram a me convencer que todas são verdade. Sou, realmente, louco, sonhador cego e ingênuo. Mas nunca estive tão feliz. Essa cegueira emocional me fez enxergar melhor o real.

Ela não poupa esforços para que eu me sinta especial ao seu lado.
Um olhar sincero é como uma janela direta para sua alma sem impurezas. Tenho medo de corrompê-la de alguma forma... Fazer-te humana... Aumentar teu gosto pela carne... Roubar sua condição de anjo.

Não sou perfeito – ninguém é-, mas você é a exceção que justifica essa regra. Sou apenas um homem... Como outro qualquer, e temo deixá-la igual a mim. Não quero que perca todas aqueles detalhes que fazem de você, de fato, perfeita.
Aquela voz sempre calma e cativante chamando meu nome naquele jeito único de falar que me faz tremer. As pernas sempre quentes e as mãos sempre geladas. A boca macia e delicada que morde meus lábios pedindo que eu nunca vá embora.
E acredite em mim quando disser: eu nunca irei.

17/02/2012 - 21:32

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Depois da ceia



Depois de uma ceia farta de comida, e vazia de sentimento, nós nos retiramos e nos afastamos da mesa, onde todos ainda se enchem de petiscos e conversas efêmeras.
A noite nos abraça com a brisa fria de fim de ano. Empresto-a meu casaco e saímos a caminhar sem rumo pela escuridão do gramado. Ainda dava para ver pela janela as pessoas juntas a “aproveitar” o Natal.

Nossos passos silenciosos na grama orvalhada, o vapor de nossa conversa suspenso no ar, a cada palavra uma pequena nuvem saía de nossas bocas.

Eu e ela não estávamos sozinhos, trazíamos conosco a última garrafa de vinho da noite – quase no fim.
 O gramado termina e andamos sem rumo pela rua deserta. Olhamos todos em suas casas fingindo amor e caridade, trocando presentes baratos e forçando sorrisos. Mas não nós... somos os únicos que não precisam fingir.

Viver não é fazer da vida um mural social e pendurá-lo bem alto para que os outros invejem suas fotos; é guardar as lembranças num álbum, para depois, no final de seus dias, folheá-lo e lembrar-se de como a vida foi boa.
Hoje estou construindo minha memória mais preciosa, nossa primeira noite juntos. Não precisa ser no calor de uma cama entre quatro paredes, ou sentados numa sala de estar com várias testemunhas de nosso amor. Para mim, basta que sejamos eu e você.

Depois de quilômetros de lento crescimento da expectativa, me encontro na sua frente. Sem o que dizer. Fico mudo, mas não por falta de conteúdo, e sim porque você me deixa sem palavras.

Chegamos ao ponto de sentarmos na calçada, não por embriaguês aparente – nem tocamos na garrafa de vinho do Porto –, mas por uma vontade que nos acometeu subitamente. Dividir nosso calor na noite fria, ouvir sua respiração suave e profunda, com cabeça apoiada de leve em meu ombro e deslumbrando as estrelas que piscam para nós.

Enquanto acompanhamos com os olhos o vinho caro que eu despejo na sarjeta, ela leva a mão ao meu rosto de barba mal-feita... arranhando a mão nas carícias doces de seus dedos gelados. Toca-me os lábios como um sinal chamando-me para beijá-la. Nosso semblante tímido desaparece durante nosso beijo indiscreto... Não posso ser discreto realizando um sonho...

Sob a luz de um poste que nos ilumina como um holofote de teatro. Encenamos uma peça linda. A única diferença é que não há atores, há apenas dois corações gratos e exultantes por terem recebido seus desejos de Natal – amor.

Você nunca foi do tipo acostumada a dormir tarde. Suas pálpebras pesam. Deito sua cabeça em meu colo e me deslumbro ao ver você cair no sono.
Aguardando o nascer do Sol e acariciando seu cabelo macio.
O horizonte clareia com os primeiros raios do novo dia.
Pego-a em meus braços e voltamos para a casa agora vazia e com os rastros do banquete que ali se fez.
Com calma para não acordá-la, acomodo-a na cama e fecho as cortinas. No silêncio do quarto vejo pela fresta da janela o Sol já alto no céu... Que venham os fogos e os incontáveis anos ao lado dela!

29/12/11 – 00h54min

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A BICICLETA DE DEUS





Numa noite quente de verão tardio, um jovem foi falar com um velho sábio:

"Mestre, como posso ter certeza de que estou vivendo minha vida direito?
Como posso ter certeza de que tudo que faço é o que Deus me pede para fazer?”

O velho sábio sorriu satisfeito e disse:

Uma noite eu fui dormir com o coração muito aflito. Eu estava tentando, sem sucesso, responder a essa mesma perguntas. Foi então, que eu tive um sonho...

Sonhei que tinha uma bicicleta com dois selins. Vi que a minha vida era como uma corrida de bicicleta para duas pessoas, uma bicicleta também.

E vi que Deus estava sentado no selim atrás de mim e... Ajudava-me a pedalar...

De repente, Deus me disse para trocar de lugar... Eu concordei. E, a partir daquele momento, a minha vida nunca mais foi a mesma.

Deus tinha transformado a minha vida que agora era feliz e emocionante...


Mas... O que, de fato, aconteceu desde que trocamos de lugar?

Percebi que, quando eu estava dirigindo, eu já sabia o caminho, e tudo era chato e previsível.

Mas quando Deus tomou a dianteira, tudo ficou diferente...

Ele conhecia lindos atalhos, e subia montanhas, por lugares rochosos em alta velocidade...

Eu continuava sentado no selim... Tudo era maravilhoso... O vento batendo no rosto e Deus dizendo sempre: “Pedala, pedala!”

Às vezes me preocupava e, quando ficava ansioso, perguntava: “Senhor, para onde estás me levando?”

Ele apenas sorria e não respondia. Entretanto, não sei como, comecei a confiar. Logo me esqueci da minha vida “chata” e entrei na aventura.

E quando eu dizia: “Senhor, estou com medo...”, Ele se voltava para trás, tocava a minha mão e, imediatamente, uma grande serenidade me invadia...

Ele me levou até pessoas que tinham os dons de que eu precisava: dons de aceitação, cura e alegria...

Essas pessoas me davam seus dons para que eu os levasse comigo ao longo da minha viagem, ou melhor, da viagem de Deus e minha. E seguíamos em frente.

Deus me disse: “Dê aos outros esses dons; não os retenha; é muito peso na bagagem”. Comecei, então, a distribuir os dons às pessoas que encontrávamos. E percebi que, ao dar os dons, era eu que recebia... e o nosso fardo se tornava mais leve.

No começo eu não tinha confiança em dar a Ele o comando da minha vida. Tive receio de entregar-me a Ele.

Mas Ele conhecia muito bem os segredos da bicicleta:

Sabia como incliná-la para lidar com curvas fechadas,

Sabia pular para superar lugares vazios de pedras,

Sabia voar para encurtar os caminhos difíceis.

E eu então comecei a aprender a ficar calado, a pedalar nos lugares mais estranhos, a degustar o panorama ao redor e a brisa fresca no rosto, a apreciar um companheiro de viagem maravilhoso: meu Deus!

E quando eu acho que não vou aguentar seguir em frente, que não conseguirei mais avançar, Ele apenas sorri e me diz:

“Não se preocupe, eu guio, você só pedala!”

Essa é uma história que nos encoraja a abandonar tudo e nos atirar confiantes nos braços de Deus. A vida e como pedalar uma bicicleta: você só cai se parar de pedalar!

Coloquemos nossa vida nas mãos de DEUS!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

No inferno encontrei um anjo




No discar lento e incerto de seu telefone vejo como nosso contato é frágil. Não ouço sua voz há meses, fico restrito a ver suas poucas fotos repetidas vezes... Doentio. Você é capaz de arrancar minhas lágrimas sem esforço; restam-me poucas, pois já gastei muitas à toa por quem não as merecia. Já você merece não apenas meus prantos de desejo, mas também meu sangue borbulhando de ódio. Ódio desse mundo que insiste em ir contra nós, ódio daqueles que não acreditam no amor, ódio na vida que me privou por tanto tempo de sua presença.

Deus é, sem dúvida, o mais sábio que há, afinal, criara você. Mas me sinto na obrigação de questioná-lo. Apesar de ter criado com tanta perfeição esse mundo ingrato, Ele o fez grande demais, e nos colocou diametralmente distantes.
Agora o inferno não está abaixo da terra, mas sim em qualquer lugar longe de você. Estou bem no meio dele, a mercê de um demônio chamado impaciência. Sua influência é tanta que estou disposto a largar tudo – amigos, família, futuro – para ter o prazer de um mero toque, sentir o calor de um suspiro no meu pescoço, ouvir que me ama.
Não consigo dizer muito apenas com papel e lápis nem com o pouco conhecimento que tenho. Para mim “eu te amo” não basta, mas é tudo que sei.

Recordar como sua voz soa ao telefone. Sua respiração ofegante e trêmula, sempre com um tom meigo e sereno.
Nossos devaneios inocentes durante a conversa mostram o melhor de mim.
Você lapidou e esmerou minhas vontades, sonhos e objetivos. Tudo agora aponta para um futuro em que nós estejamos juntos.

Você é o anjo que me dá esperanças de um dia escapar do inferno, arrependido com o que era e otimista com o que serei (por você). Sei que não é muito, mas se quiser me tomar para si, vá em frente.

02/11/11 – 00h07min

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Sonho



A única diferença entre sonho e realidade é o quão dispostos estamos a acreditar no que está diante de nós.

Meu quarto – palco de muitas histórias – agora se torna cenário de uma mentira; um sonho mais real do que os momentos que passei com Ela. Estranhamente, não estávamos sozinhos. Havia outros no mesmo lugar, porém estáticos, meros figurantes mudos, numa cena onde eu protagonizava um reencontro. Não me lembro de seus rostos.

Ela, a única que reconheci, recostada na cabeceira da minha cama, parada. Aproximo-me dos lençóis perfumados com seu cheiro. Deito-me ao seu lado, mas minha presença passa despercebida. Vidrado naquela garota com olhar perdido no nada.
Toco-lhe o ombro e, suavemente, seus olhos tornam em minha direção. Todos à nossa volta somem.
Eu e ela passamos alguns instantes nos encarando com sorrisos inocentes.
Sua mão me envolve o pescoço e me puxa para perto, até ficarmos de rostos colados.

Senti o canto dos lábios dela procurando os meus, vindo cada vez mais, até que antes de perceber, estávamos nos beijando. Como costumávamos fazer. A mesma sensação que por tanto tempo me consumia e me tentava.
Aquela pele macia sendo pressionada contra minha saudade. Nunca me senti tão vivo.
Nostalgia assustadora.
Pena que nosso beijo durou pouco...

Subitamente, ela vira-se e corre para outro cômodo. Lá fui eu seguindo-a. Ao encontrá-la pergunto minhas últimas palavras: “por que não podemos apenas tentar?”.
Notei que estava prestes a me responder, mas nada ouvi.

Um ruído ensurdecedor me amedronta e me faz levantar assustado. Era o maldito relógio que arrancou ela de mim tão de repente.
Tudo aquilo não passara de mais uma noite com memórias me traindo.

Mas quando acordei, meu pescoço suava justamente onde ela me tocou. Minha boca estava seca. Meu corpo tremia.
Fora apenas um sonho? Espero que não.

19/07/11 – 15:35

domingo, 16 de janeiro de 2011

ATÉ ONDE VOCÊ IRIA?



Miguel e Bruno. Inseparáveis, quase irmãos. Tão amigos, tão parecidos, tão ligados que imprudentemente apaixonaram-se pela mesma mulher... Tolos. Nenhum sabia da paixão do outro.
Secretamente, o amor deles por ela crescia.
Até o dia em que um resolveu aventurar-se e aproximar-se dela. Miguel decidiu arriscar uma conversa inocente. Por ser carismático e galanteador, manteve a garota interessada por toda a conversa.
Logo a relação deles se estreitava, enquanto Bruno ficava observando a cena de longe, amargurado. Ele olhava tudo se desenrolar incapaz de tomar qualquer ação. Afastava-se mais e mais de Miguel, sempre com desculpas, como compromissos, deveres e falta de tempo. Semanas se passavam e Bruno se esquivava sempre que possível de qualquer oportunidade de conversar com seu “ex”-melhor amigo.
O pobre rapaz perguntava-se: “se dizem que somos tão parecidos, por que ele a merece e não eu?”, mas nunca achava uma resposta.

Um dia, sozinho, em casa e com fome, Bruno recebe uma ligação de uma pessoa desconhecida. Uma voz que nunca havia ouvido antes diz:
“Até onde iria para salvar quem você ama?”.
No início, ele achou que fosse um simples trote.
– Boa pergunta... Eu acho que iria pra cozinha fazer um sanduíche e desligar o telefone.
– Bruno, isto não é brincadeira, escute com atenção se não a garota que você ama irá morrer em 24 horas.

Nesse momento uma gota de suor corre seu pescoço e ele engole a saliva a seco. Afinal a voz acabara de falar o nome dele e sabia da garota que perdera para Miguel.
– Meu amigo está com ela agora. Não tenho mais interesses nela, – falando com um tom que denuncia a mentira que falou – são águas passadas.
– Nós dois sabemos que isso não é verdade. Então, cale-se e ouça. Está disposto a matar para que sua amada continue viva?

Ele fica em estado de choque com o pedido da pessoa misteriosa e revolta-se.
– Quer saber? Não vou aturar mais essa conversa de gente louca!
E bate o telefone no gancho. Imediatamente após desligar o telefone toca novamente.
– Isso não tem graça, quero que saiba que caso essa seja sua palavra final ela será morta aqui e agora e Miguel será o próximo.
– Como sabe dele também? O que eles têm haver com você? Quem é você? Não fizemos nada para merecer isso!

Mesmo um lado de Bruno odiar e invejar Miguel, outro ainda o ama como um irmão. Perder o amor de sua vida e ainda por cima perder seu melhor amigo? Seria dor demais para um homem só agüentar.

– Eles são a razão disso tudo; não sou ninguém importante para você, nem nunca serei; vocês são o que me motivou a fazer o que estou fazendo. Vou perguntar só mais uma vez. “Está disposto a matar para que sua amada continue viva?”.
– Sim. Continue.
– Na estante de cima na sala de estar você vai encontrar uma arma, carregada, portanto tome cuidado, preciso de você vivo para que isso dê certo.

Quando vai até a sala com o telefone, desacreditado que encontraria uma arma de verdade, ele estica a mão até a estante mais alta e sente algo... Ao pegar e ver o que era quase tem um ataque do coração. Era uma pistola. Percebendo que a situação era mais séria que pensava, Bruno resolve colaborar e acabar com isso o mais rápido possível.

– Encontrou a arma?
– Sim. Estou ouvindo. Quem você quer que eu mate agora?
– Seu alvo, no momento está a três quarteirões de onde está...
– Mas quem é?
– Não me interrompa!... Na Praça da Liberdade próximo do posto de gasolina.
– Estou a caminho.
– Ah e Bruno, leve seu celular, caso faça algo estúpido quero que ouça as últimas palavras dela.

Ele segue até o local combinado. Ao chegar recebe uma ligação.

– Vá para o apartamento 406 do prédio na esquina sul da praça e vigie a única janela da sala até seu alvo chegar.
– “Chegar”?! Disse que já estaria aqui!
– Tudo na hora certa, agora faça o que mandei.

Bruno procura o edifício desesperado. Avista-o em meio às árvores e corre até lá. Entra, sobe as escadas e vasculha o 4º andar atrás do apartamento. Encontra-o e fica de tocaia por horas.

Até que, já de noite, aparece um homem conversando no celular, e senta-se num banco bem em frente à janela. Estava longe de mais para ver seu rosto... De repente o telefone de Bruno toca mais uma vez.

– Lá está seu alvo. Agora, mate-o e estará livre assim como seu amor.
– Mas nem conheço aquele cara! Se for um pai de família ou algo do tipo, estarei arruinando muito mais do que a vida dele.
– Está disposto a salvá-la ou não? Esta é minha última ordem. Faça-o e saia vivo com aquela que ama, ou escute-a agonizar até a morte.
– Farei isso. Mas tem que me dar sua palavra de que ela ficará bem.
– Tem minha palavra.

O misterioso personagem desliga o telefone. Bruno ajeita sua arma no peitoril da janela e com calma faz sua mira. Sente seu dedo pulsar enquanto encosta no gatilho, seu coração soca seu peito como nunca antes, suor lhe escorre na testa e nas mãos. Uma mensagem é recebida em seu celular, mas ele estava pronto e concentrado demais para ver do que se tratava. “Deus me perdoe pelo que estou prestes a fazer” disse assim o rapaz com voz trêmula.

Logo se ouve um estrondo, todos os pássaros, da praça, assustados saem voando e um homem cai morto no chão. Bruno sem ação, só parado na mesma posição, não acredita no que acabara de fazer. Matara uma pessoa. Com suas próprias mãos. Cai num tapete perto da janela e lágrimas começam a se formar.

Ouve-se a porta do apartamento abrir e para a surpresa de Bruno lá estava ela, seu amor, viva e instigada ao vê-lo no chão chorando. A pessoa não identificada do outro lado da linha tinha cumprido sua promessa. A garota, então, pergunta-lhe:

– Você é Bruno?
– Sou.
– Prazer, sou Bianca, acho que nunca fomos propriamente apresentados.
– Nunca tivemos a chance... Quando fui tentar meu amigo Miguel foi antes de mim a tomou de mim.
– Como assim “tomou”?
– Eu e ele éramos apaixonados por você... Mas foi ele quem conseguiu o que tanto queria. Seria bom se você voltasse para ele e contasse o que aconteceu. Deve estar preocupado.
– Não. Não aconteceu nada de mais... Pelo não menos comigo e, aliás, ele nunca esteve “apaixonado” por mim. Mas ele me contava de um garoto chamado Bruno que mal conseguia dormir pensando em mim. Eu me aproximei tanto dele, não só por ele ser muito gentil e simpático, mas também porque ele me falava de você. Esse “Bruno” tão especial, em algum lugar pensando incessantemente em mim. E por falar nele, eu estava com ele agora mesmo... Há alguns minutos. Ele me pediu para vir e disse que você estaria aqui..

O rapaz agora estava com um verdadeiro nó em seus pensamentos. Tudo que ele pensava ser, não era mais. Era muito melhor. Os dois se abraçam ali mesmo no chão. Quando Bruno lembra-se de ter recebido uma mensagem. Ao pegar o celular ele vê que é do mesmo número que havia mandado fazer tudo aquilo, e lê:

“Tive que fazer o que fiz. Obrigado por acabar com meu sofrimento”.

Bruno não acredita no que lê. Corre para a praça, para confirmar suas suspeitas e quando chega até o homem que havia matado ele vê Miguel sorridente, morto no chão e com seu celular ainda em sua mão. O mesmo celular que usara para dar as instruções para Bruno, e nele estava escrito:

“Sentirei sua falta. Eu a amava, sim. Mas não estava pronto pra estragar uma amizade de anos só por causa de uma garota. Tive que escolher entre me desfazer de uma vida inteira que passei ao seu lado, ou um resto de vida inteiro sem você. Escolhi te fazer feliz, afinal, você é como um irmão pra mim e é isso que os irmãos fazem! Alegram uns aos outros. Só ter a satisfação de ter juntado vocês já me deixa mais que feliz, me deixa orgulhoso de ver meu maninho tão sorridente. Desculpe pela bagunça e vá viver sua vida junto dela. Um dia nos reencontraremos, tenho certeza.
Ass.: Miguel”.

11/01/10 – 20h21min

domingo, 9 de janeiro de 2011

REVELAÇÕES TARDIAS... FIM BREVE.





Ele aguarda impaciente a volta de sua amada. Dias... Semanas... A cada minuto de sua ausência ele sente as lembranças dela cercando-o, sufocando-o. Os dois estão incomunicáveis. A única coisa que o dá motivos para sorrir é pensar no dia que se reencontrarem. Amarga espera será recompensada com a mais doce das sensações.

O dia tão esperado finalmente chega! Ele está eufórico, perplexo e chorando de emoção. Logo quando pode, liga para ela e ouve aquela voz aveludada fazendo cócegas em sua alma. O tom do rapaz deixa notar que ele está de garganta seca e quase sem forças para segurar o telefone. Eles marcam um encontro para matar a tão cruel saudade que os tortura.
Mas, como sempre, ele chega ao local combinado muito antes... Afinal o pobre coitado não dormiu essa noite. Seus pés batendo no chão como se estivesse solando uma bateria emocional. Feliz.
De repente surge a silhueta dela, sua querida, sua amada, seu motivo de chorar, seu motivo de sorrir. Ele disfarça as lágrimas no caminho até ela.
Os dois param centímetros um do outro e olham fundo, um nos olhos outro. Aquele brilho que eles esperaram ver por tanto tempo, finalmente está ali, ofuscando a vista deles. Abraçam-se como se não se vissem há anos. Um abraço apertado, quente, apaixonado. Seus corações juntos parecem socar um ao outro de tanta felicidade. Afrouxam os braços e se beijam inocentemente. Assim ficam tempo de mais para saber ao certo. Logo vão se sentar e conversar um pouco. O papo fluía naturalmente, até que... Ela diz uma notícia que ele jamais esperaria ouvir. Ela viajaria de novo no dia seguinte para outra cidade.
Ele fica sem ar. Eles acabaram de se rever e já teriam que se separar novamente? Isso não foi muito bem aceito pelo rapaz... Lágrimas correm seu rosto e pescoço. Ele fica assim, sem palavras e vendo seu reflexo patético nos olhos dela.
O rapaz diz:
– Quando voltas?
Seu amor fala:
– Nunca.
Ele mal sente seu coração parar. Está tremendo, gaguejando coisas sem sentido, suado e desesperado.
– COMO ASSIM “NUNCA”?
– Simples... Não é apenas uma viagem. É uma mudança. Meu pai, por ser embaixador, terá de mudar daqui e seus serviços começam já semana que vem. Tornando necessário que viajemos logo amanhã.
– Onde é essa cidade? Brasília? São Paulo? Rio de Janeiro? Vou para lá! Não importa onde for! Largo tudo e vou atrás de você! Não vivo sem você! Por favor, fique, tenha uma vida aqui comigo!
– Nos mudaremos para a Irlanda. Meu pai residirá lá para relações internacionais com o Brasil.
Ele quase desmaia após ser atingido com tamanha surpresa. Porém, estranhamente, a garota parece estar encarando a situação com certa naturalidade.
– Não sentes o que sinto? Não sofres com o que me atormenta?
– Sim. Mas se eu deixar minha posição agora posso tornar tudo muito pior para nós dois.
– Entendo... Mas ao menos podemos dar nosso último abraço, aquele do qual nos lembraremos para o resto de nossas vidas. Separados fisicamente, mas sempre juntos em espírito. Corações de mãos dadas até o fim.
– Lógico. Eu te amo – ela sussurra em seu ouvido.
Eles dão seu último abraço. O último contato que terão na vida. Logo depois cada um segue seu rumo e nunca mais se vêem.

No dia seguinte o rapaz dá os toques finais numa forca que acabara de pendurar no teto de seu quarto. Ele pega uma cadeira em silêncio para que seus pais não tentem impedi-lo. Ao subir na cadeira ele escuta vindo da sala uma notícia na TV...
– Notícias internacionais: brasileira de 16 anos encontrada morta na Irlanda. Com seus pulsos cortados e um bilhete sujo de sangue em cima de uma mesa, dizendo: 

“Sempre te amei e nunca deixarei de te amar. Quando disse a última vez que te amava, foi a última coisa que disse em vida. Quando cheguei em casa, não falei com meus pais, na viagem não disse nada. Tudo para que minhas palavras finais tivessem realmente significado e para a pessoa que realmente significa algo para mim. Você”.

Ele não acredita no que acaba de ouvir. Agora, mais decidido que nunca, passa a corda em volta de seu pescoço, sussurra para si mesmo “Céu ou Inferno, não importa. Já vou me encontrar com você, meu amor” e chuta a cadeira.


09/01/2011 – 16h23min


PS: Gostou? Comente!